Escadas que não conduzem a nada senão à sua propria
monumentalidade sígnica.
Truncados panos e muros. Lances-labirintos de degraus
que arrematam em desvãos de outros degraus.
Desubicados. Ubíquos.
Escalas de cor: Escadas escaladas
que se resolvem em contracanto de cor/sombra.
Em quinas de mais e menos luz.
Vermelhas. Azuis. Laranjas. Verdes. Claros. Escuros.
A cor tem memória (história).
O pontilhismo-Seurat sutilizado-
é outro aceno (gesto: cena) desta arte de
"interstícios".
Quando a moldura não é mais âmbito
porém limite da forma
a modulra é abolida. A forma inventada o seu recorte.
Degraus decolam soltos na insinuação do espaço.
Subsumidos do subir.
Esse signos (índices "vazios") podem também
gerar figuras ícones antropomorfos
visagens. De repente descubro na planimétrica
(e volumétrica) sobreposição de prismas vermelhos
abruptamente facetados de azul-um ídolo em repouso:
imponemte sugestão caligráfica de escultura olmeca.
Algo (talvez) de "pintura metafísica"nestas
"passagens".
Neste meticuloso (e irônico) desconstrutivismo
de espaços "entre".
Passagens: despaisagens.
Haroldo
de Campos
Setembro, 1984
Texto
publicado no catálogo da exposição de Claudio
Tozzi na Galeria São Paulo.