Foi lá que minha memória despertou e que
comecei a participar de uma violenta mutação.
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O rio Amazonas corre lento e imenso. Um belo dia encontro-me lá. De pé sobre a plataforma do ônibus verde, maravilhado, vejo desfilaros bulevares de plátanos e castanheiras, os quiosques e os mictórios. Os vendedores ambulantes enchem o ar com seus gritos. O cantor-acordeonista toca a musette esperando que as moedas caiam do céu. De repente, uma greve. Tudo parou. Os montes de lixo começam a esconder o outro lado da rua. A multidão desfila: manifestações. Nos cafés discute-se abstração enquanto morre o existencialismo. A Cantora Careca estréia numa cave. Guerras e
guerrinhas. Acelera-se a revolução tecnológica. O céu
se carrega de ferragens sofisticadas. A espada de
Dâmocles torna-se cada vez mais pesada. Percebo
que as raízes da minha figueira brava infiltravam-se
também nos interstícios das pedras do Marais.
Texto do catálogo de exposição, Paris, 1983 |