Roberto Magalhães
Biografia, por Elizabeth Magalhães

1940 Nasce em 29 de março, na Praia da Ribeira, 91, ilha do Governador, Rio de Janeiro, primeiro filho de Joel Magalhães e Alba de Oliveira Magalhães. Sua irmã, Carmen, nasce dois anos depois. Roberto de Oliveira Magalhães passa a infância entre a casa de seus pais, à Rua Nambi, e a casa da avó, na Praia da Ribeira. Em frente, a praia, o mar, a areia, o horizonte. Passeios de barco e bicicleta. Recantos de água e sol, lugares inspiradores para uma alma sonhadora.

 

Aos nove anos ganha de seu pai uma caixa de tintas e pincéis e diante de sua casa, defronte à Baía da Guanabara, pinta, inusitadamente, uma cachoeira. Faz cartões ilustrados, que vende para realizar seu sonho de menino – ter uma fazenda.

Cursa o primário na Escola Pública Cuba, na Ilha do Governador, e o ginásio no Colégio São Bento, centro, Rio de Janeiro. Nessa época, faz, por brincadeira, desenhos para o jornal do Bairro, AMIG, como A Barca da Cantareira. Semanalmente, ilustra com caricaturas dos professores o jornal do Colégio São Bento.

1956 Sai do Colégio São Bento no quarto ano ginasial para dedicar-se ao trabalho artístico. Começa a trabalhar em desenhos para a gráfica do seu tio fazendo rótulos de garrafa e pequenas propagandas. Estréia no campo profissional com capas de discos, livros, logotipos e trabalhos publicitários. Porém logo se dá conta de que este não é o seu caminho e resolve dedicar-se exclusivamente à arte.

 

1962 Faz sua primeira exposição individual, com desenhos surrealistas a nanquim, na Galeria Macunaíma, anexa à Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

1963 Participa da "I Exposição do Jovem Desenho Nacional", no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo

1964 Realiza sua primeira individual de xilogravuras, na Petit Galerie, Rio de Janeiro. Participa da "I Exposição da Jovem Gravura Nacional", no Museu de Arte Contemporânea, São Paulo.

Toma parte em duas coletivas: no "XII Salão Nacional de Arte Moderna" e no "Resumo JB", no Museu de Arte Moderna – MAM, Rio de Janeiro.

No exterior, participa do "Salão Comparaison" em Paris; da "Brazilian Art Today", em Londres; da "IV Bienal Internacional de Gravura" em Tóquio e da mostra "Gravuras Brasileiras", no Print Club em Philadelphia, EUA.

1965 Casa-se com a estudante de Belas Artes Andréa Sigaud, filha do pintor Eugênio Sigaud. Viverão juntos até 1978.

Faz uma exposição individual de xilogravuras na Galeria Morada, em Belo Horizonte, e outra de aquarelas na Petite Galerie, no Rio de Janeiro.

Participa da "VII Bienal de São Paulo"; da "Brasilianische Kunst Heute", em Viena, e de "Ocho Grabadores Brasileños", na Galeria Rene Metras, Barcelona, Espanha.

Aos vinte e cinco anos, torna-se um dos principais integrantes do grupo de jovens pintores que fizeram a revolucionária exposição "Opinião 65", no MAM, Rio de Janeiro. Junto com Antônio Dias, Vergara, Rubens Gerchman e outros artistas de vanguarda que se destacavam na época traz uma nova linguagem visual para as artes plásticas no Brasil. Durante esse ano, Roberto Magalhães ganha, com uma série de cinco xilogravuras, o prêmio de gravura da IV Bienal de Paris.

1966 Expõe uma individual de aquarelas, no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro. Participa do "Primeiro Salão Abril", da "Opinião 66", no Museu de Moderna; da "Super Market", na Galeria Relevo; da "Vanguarda Brasileira" e da exposição "PARE" na Galeria G4, Rio de Janeiro.

No exterior, participa da "Bienal de Gravuras" em Santiago; da "Arte Contemporânea Brasileira", no Museu de Arte Moderna de Buenos Aires; "Gravadores Brasileiros", na Cornell University, EUA, e da "Brasilian Print Show", em Tóquio.

Ganha o cobiçado prêmio de viagem ao exterior do "XV Salão Nacional de Arte Moderna", no Rio de Janeiro, com a xilogravura "Édipo decifra o enigma da Esfinge".

1967 Viaja para a Europa e fixa residência em Paris, onde mora dois anos. Vivencia todo clima de efervescência política que antecede Maio 68, na França, e na Inglaterra os Beatles, a cultura "flower power".

Expõe com Antonio Dias na Galeria Debret em Paris.

Durante esse ano participa da "Nova Objetividade Brasileira", no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, e da "Jovem Arte Contemporânea", no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo.

 

1968 Participa da coletiva "Brinquedos", na Galeria Saint-Luc, Paris.

Seu prêmio de viagem termina. Seu temperamento introvertido o traz de volta ao Brasil, onde, mais do que em qualquer outro lugar, prefere mostrar sua obra.

Participa do "Resumo JB", no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e da I Bienal da Bahia, em Salvador.

 

1969 Os questionamentos e a inquietação presentes na vanguarda de sua geração levam-no a procurar respostas no universo místico. Começa a estudar ocultismo e teosofia. Ao tomar contato com a meditação e a doutrina budista, decide-se entregar-se inteiramente a uma nova vivência. Despoja-se de seus livros, objetos, discos e roupas e abandona, inclusive, sua produção artística.

 

Ajuda a construir o Centro de Meditação da Sociedade Budista do Brasil, no Rio de Janeiro, onde reside por quatro anos. Durante os dois primeiros anos, ao invés de pincéis, trabalha com pedra, cimento, tijolo. Nos dois últimos anos dedica-se somente à meditação e aceita, já no final, o cargo de Presidente da Sociedade.


1974 Depois de exercer as funções relativas à liderança do Mosteiro, sente necessidade de voltar a pintar. Segundo suas próprias palavras, compreende que a pretendida realização espiritual dependia da extroversão de sua vocação. Deixa o Centro Budista.

Escreve quatro livros de contos fantásticos. Retoma os estudos de ocultismo, teosofia, cabala, astrologia e alquimia iniciados antes de ir para o Mosteiro.

Progressivamente, ao mesmo tempo em que registra, em fichas e livros manuscritos e ilustrados, enorme quantidade de informações sobre medicinas alternativas, retoma a originalidade de sua arte que passa a mostrar influências da experiência mística. Como ele mesmo disse sobre o seu retorno: "No princípio foi difícil, mas fui dominando, dominando, até me condicionar novamente à pintura".

1975 Está há oito anos sem expor. Recomeça sua vida artística fazendo duas exposições de desenhos: na Petite Galerie, e na Galeria Maison de France, onde mostra a coleção pertencente a Gilberto Chateaubriand.

Faz uma individual de pinturas na Galeria Arte Global, São Paulo.

Integra a exposição "Cinco Desenhistas Brasileiros", na Galeria Maison de France, Rio de Janeiro.

 

1978 Dá aulas no Museu de Arte Moderna. Com o estilo que lhe é próprio, seu trabalho revela sensações e situações vividas no cotidiano que desnuda com humor e ironia em imagens fantásticas.

A trajetória que percorre nos últimos três anos é mostrada durante a inauguração da Galeria Saramenha, no Rio de Janeiro, com uma individual de desenhos e pinturas, utilizando várias técnicas: lápis de cor, bico de pena, aquarela, litografia, xilogravura, pintura à óleo.

Também participa da exposição inaugural da Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro.

1979-81Faz uma individual de pintura na Galeria Andréa Sigaud.

O Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, expõe as xilogravuras que pertencem à coleção do Museu.

Participa da exposição "Universo do Futebol", na Galeria de Arte Acervo, Rio de Janeiro.

1982 Casa-se com Elizabeth Cabral Magalhães, psicóloga. Com ela e suas duas filhas, Ana Cristina e Momi, residem na casa – ateliê de Santa Teresa até 1988, quando conclui seu ateliê na bela paisagem do Vale das Flores, próximo a Visconde de Mauá.

Seu temperamento introvertido e ao mesmo tempo inquieto e contestador leva-o a dividir seu tempo entre o silêncio da montanha e o Rio de Janeiro.

Suas leituras agora dedicam-se à história das civilizações e arqueologia.

1984 Faz uma individual exclusivamente de pintura na Galeria Sarmenha, Rio de Janeiro. Já não estão presentes as imagens com símbolos esotéricos. Definitivamente é o homem, com seu instinto e expectativas, com seus desejos e sentimentos que aparece retratado num universo imaginário que integra demônios, animais e seres humanos. Suas pinturas impressionam e afirmam-se pela originalidade aliada à meticulosidade e extrema qualidade técnica com que são apresentadas.

Neste ano ainda, participa das coletivas: "Vinte e Sete Paisagens Brasileiras, no MAM; "A Xilogravura na História da Arte Brasileira", na FUNARTE; "Arte Brasileira Atuante" e "Primeiros Trabalhos" na Galeria Maison de France, Rio de Janeiro; Retratos e Auto-retrato na Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; Brasil Desenho", no Palácio das Artes, Belo Horizonte.

1985 Participa das coletivas: "Figura Hoje", na Galeria IBEU; "Caligrafias e Escrituras", na Funarj; "Pequenos Espaços, na Galeria GB; "Encontros", na Petite Galerie; "Desenho, Velha Mania", no Parque Lage; "Brasilidade e Independência", no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo; "O Retrato do Colecionador – Uma Coleção de Auto-retratos", no Espaço Cultura CEMIG, em Belo Horizonte; "Destaques da Arte Contemporânea Brasileira", no Museu de Arte Moderna, São Paulo; "Pintura e Poesia", no Espaço BNDES; "Transvanguarda e Culturas Nacionais", no Museu de Arte Moderna; "Gravura Contemporânea Brasileira", na CENARTE, Rio de Janeiro.

 

1987 Uma exposição retrospectiva comemora os 25 anos de sua trajetória artística mostrando pinturas, desenhos, esculturas, xilogravuras, projetos e manuscritos na Galeria Investiarte. Paralelamente a esta esposição, suas mais recentes pinturas são mostradas na Galeria Sarmenha.

Com 47 anos, o caminho paradoxalmente solitário e extremamente ligado à vida urbana que Roberto trilhou torna-se uma referência marcante na vida de todos que tomaram contato com sua arte e personalidade.

Pinturas suas mais antigas são mostradas na Galeria Cleide Wanderley, no Rio de Janeiro e na mostra "63/66 – Figura e Objeto", Galeria Millan, São Paulo.

Participa da coletiva "Rio de Janeiro, Fevereiro e Março", Galeria BANERJ; de "Hedonismo", coleção Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro; de "São Paulo – Rio – Paris", Galeria Montessanti SP/RJ e Galeria 1900-2000, Paris; de "Modernidade – Arte Brasileira do Século XX", Museu de Arte Moderna, Paris e Museu de Arte Contemporânea, São Paulo; e de "Nova Figuração", Instituto Cultural Brasil, Rio de Janeiro, Buenos Aires.


1988-89 Faz uma individual de pinturas e desenhos na Embaixada do Brasil em Londres. Participa das coletivas: "Gravura Brasileira: Quatro Temas", no Parque Lage; "Momentos", no Rio Design Center; "Viva Brasil", na Galeria 1900-2000, em Paris; "Exposição Brasil – Japão de Arte Contemporânea", Tóquio.

1990-91 Faz uma individual de pinturas e desenhos, na GB Arte, no Rio de Janeiro. Participa das coletivas: "Primavera 90", na Galeria H. Stern; Mario Pedrosa – Arte, Revolução, Reflexão", no Centro Cultural Banco do Brasil; "5 X Arte", na Galeria Moviarte e "A Árvore de Cada Um", na Galeria Montessanti Roesler em São Paulo. Participa da coletiva "Que Você Agora, Geração 60?", no Museu de Arte Contemporânea.

Em Paris, da coletiva "Seis Artistas Latino Americanos", na Galeria 1900-2000.

1992 O Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, promove uma exposição retrospectiva dos últimos 30 anos de pinturas e desenhos. É a maior exposição até então mostrada ao público.

Individual de desenhos na Galeria Sarraceni, Rio de Janeiro.

Também no Rio de Janeiro participa das coletivas "Gravura de Arte no Brasil; da "Natureza – Quatro Séculos de Arte no Brasil", no CCBB; "As Artes no Poder", no Paço Imperial; "A Caminho de Niterói", da Coleção Sattamini, no Paço Imperial. Em São Paulo da "Coleção Gilberto Chateaubriand – Anos 60 e 70" e na Galeria SESI. Em Paris "Diversité Latino-americaine", Galeria 1900 – 2000.

Em São Paulo das coletivas "O Desenho Moderno no Brasil", na Galeria SESI e "Hieróglifos das Cosmologia", no Museu Judaico. No Rio de Janeiro participa de "Xilogravuras", no Parque Lage; "Papel do Rio", no Paço Imperial; "Emblemas do Corpo", no CCBB e "Brasil – 100 anos de Arte Moderna", Coleção Sérgio Fadel, no Museu Nacional de Belas Artes.

1994 Faz uma individual de desenhos no Museu da Chácara do Céu, Rio de Janeiro. Em São Paulo participa da "Bienal Brasil Século XX", no Pavilhão da Bienal e "Os Novos Viajantes", no SESC. No Rio de Janeiro, "Futebol e Arte", no Museu Nacional de Belas Artes.

1995 Faz uma individual de xilogravuras, desenhos antigos e recentes denominada "O Traço e a Matriz" no Instituto Cultural Villa Maurina, no Rio de Janeiro. No México faz uma individual denominada "Xilografias/Xilogravuras", no Museo de las Artes, Guadalajara.

No Rio de Janeiro participa das coletivas "Representações do Feminino", no Rio Design Center; "Opinião 65 – 30 Anos", no Centro Cultural Banco do Brasil; "Da Cor do Rio", no Espaço Cultural dos Correios; "A Nova Figuração – Anos 60", na Galeria Jean Boghici; "Salão em Preto e Branco", no Museu Nacional de Belas Artes; "O Teatro Faz Arte", Rio Design Center.

Em São Paulo, "Os Filhos do Abaporu", na Galeria Arte do Brasil. "Papel do Brasil – Arte Contemporânea", no Palácio dos Trabalhadores, Praça Celestial, Pequim, China.