Roberto Moriconi, escultor e pintor, nasceu no ano de 1932 em Fossato di Vico, província de Perugia, Itália. De 1948 a 1953 frequentou a bottega do mestre Cencio, recebendo menção honrosa no Salão Cittá di Trevi em 1952. Em 1953 emigra para o Brasil, fixando-se na cidade do Rio de Janeiro, onde trabalha inicialmente com manutenção de aviões em Manguinhos. Em 1958, deixa a aviação para dedicar-se integralmente à arte. A primeira exposição individual de Moriconi ocorre na galeria Dezon, no Rio de Janeiro, em 1960. No mesmo ano começa a trabalhar na livraria Freitas Bastos onde realiza inovadoras capas de livros e ilustrações até 1967. Sua primeira forma de expressão é a pintura. Em 1963 expõe seus primeiros trabalhos em escultura na Galeria Seta, em São Paulo. Dois anos depois toma parte do XIV Salão Nacional de Arte Moderna. Engajado ativamente nos movimentos de vanguarda da arte nacional, Moriconi participa em 1967 da mostra Nova Objetividade Brasileira (MAM-RJ) e apresenta na Petit Galerie, Rio de Janeiro, a I Feira Mundial do Sangue de Umbigo, exorcizando os padrões acadêmicos da arte. Nesta mostra, Moriconi pesquisa o choque entre a sociedade de consumo e a produção artística, demarcando um turning point em sua carreira. O manifesto Formas Dinâmicas no Espaço, apresentado no evento Arte Pública no Aterro do Flamengo (RJ), em 1968, discute a arte e a ciência de combinar formas no espaço de maneira dinâmica. A obra Máquina 1, exibida nesse evento, projetava efeitos cinéticos através de um projetor de slides com gotas de tinta. Este trabalho viria a ser o primeiro "múltiplo" produzido no país. As décadas de 70 e 80 representaram para o artista um período de consolidação. Roberto Moriconi adota o aço como elemento principal em sua obra procurando dar um destino poético à matéria. Em 1977 apresenta na Galeria Bonino, Rio de Janeiro, e na Skultura Galeria de Arte, São Paulo, os Antivolumes, esculturas de aço inoxidável, geométricas e planas, que criam a ilusão de tridimensionalidade. Os Volumes Energéticos, de 1980-83, consistiam de placas de aço inoxidável que sob a incidência da luz assumiam formas surpreendentes e variadas. Estas obras integraram, em conjunto com esculturas inspiradas nos quatro elementos básicos (água, terra, fogo e ar) uma das exposições de maior destaque de Moriconi, denominada "Visual Concert". Durante o "Visual Concert", happening que ocorreu no Rio e em São Paulo, o artista criava volumes energéticos em um palco, trabalhando com uma lichadeira sobre a superficie do aço. As obras seriam, segundo o escultor, a "materialização" da música produzida ao vivo por músicos como Paulo Moura, Márcio Montarroyos, Wagner Tiso e outros. Em 1991, Moriconi realiza a exposição Do Caos ao Cosmos, onde apresenta esculturas e hologravuras em metal. "O artista e' o intermediário entre a potencialidade cósmica e a matéria trabalhada" diria o escultor na época. Roberto Moriconi, falece no Rio de janeiro em 4 de Abril de 1993. No mesmo ano, o Rio Design Center realiza importante mostra coletiva envolvendo, além dos trabalhos do artista, obras de outros 50 escultores do Rio de Janeiro. Conhecido como o poeta do aço, filosófico, inventivo e ousado, Roberto Moriconi influenciou vários artistas com sua arte e suas idéias visionárias cunhadas em textos publicados por vários jornais e revistas do país. Em 1995, o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, realizou a exposição "Moriconi, Mestre da Luz" exibindo "Sinfonia Inacabada", último trabalho do escultor. No mesmo ano, o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Tereza, bairro do Rio onde viveu Roberto Moriconi, inaugurou um espaço permanente a ele dedicado. A Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro recebeu da família do artista, também em 1995, "O Casulo do Dragão", dando início ao projeto idealizado em vida pelo escultor, que queria unir a ciência e a arte em um museu ao ar livre no campus universitário. Em 33 anos de atividade, Moriconi completou cerca de 120 exposições, incluindo bienais e diversas exposições públicas. Moriconi foi curador do departamento de escultura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) de 1974 a 1984. Neste período organizou varias exposições, dentre elas, "Madeira Matéria de Arte" com trabalhos de 36 artistas de diversas origens, como Rio, São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Bahia, Goiania e Curitiba, entre outros. No Rio Design Center , organizou as exposições "Gesto Alucinado" , "Ponte para XXI" e "Caminhos" com trabalhos de artistas do eixo Rio-São Paulo, principalmente. Seu trabalho consta em
coleções públicas e privadas, fazendo parte de
diversos museus no Brasil e no exterior. No momento um
livro sobre a vida e obra de Roberto Moriconi está em
processo de edição, a família aguarda o interesse de
instituições que possam patrocinar seu lançamento.
Em breve esta página conterá fotografias das principais obras de Roberto Moriconi.
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