Biografia

am25.gif Anna Maria Maiolino nasce em Scalea, Calabria, Itália, em 1942, de pai italiano e mãe equatoriana; a formação artística é latino-americana. Emigra para a Venezuela em 1954. Inicia seus estudos de arte em Caracas, na Escola Nacional de Belas Artes Cristóbal Rojas. Passa a expor regularmente, a partir de 1958. Em 1960, chega ao Brasil. Continua seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, cursando os ateliês de pintura e xilogravura.

1960 Participa do XXI Salão Nacional de Arte Venezuelano, em Caracas, Venezuela.

Dedica-se intensamente à xilogravura. No rigor da técnica, a artista incisa pequenas figuras pretas, recortadas por áreas brancas abertas na matriz.

1963 Participa do XXI Salão Paranaense de Belas Artes, em Curitiba, Paraná, Brasil. Recebe o Prêmio de Aquisição.

1964 Expõe individualmente, pela primeira vez, na Galeria G, em Caracas, Venezuela.

am24.gif 1965 A representação e o processo narrativo ocupam a xilogravura, aproximando-se dos questionamentos da Nova Objetividade, movimento que febrilmente se afirma no meio da arte no Rio de Janeiro, nesse período. Maiolino toma como tema dominante a condição feminina, no contexto do cotidiano, e a massificação da grande cidade. Além do trabalho de gravura, realiza objetos utilizando a palavra escrita e diversos materiais, como madeira, tecido e estofados. São desse período obras como Giu... Glu, A Espera, O Herói.

Participa do XVI Salão de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brasil.

1966 Integra a exposição Opinião 66, no MAM, no Rio de Janeiro, Brasil; participa do 111 Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília, recebendo o Prêmio Referência Especial.

1967 Participa das mostras Nova Objetividade Brasileira, no MAM, Rio de Janeiro, Brasil, organizada por Hélio Oiticica; 1 Bienal da Bahia, em Salvador; IX Bienal Internacional de São Paulo; 111 Salão de Arte Contemporânea de Campinas, em São Paulo, Brasil, onde recebe o Prêmio Cidade.

Realiza uma exposição individual de xilogravuras, na Galeria Goeldi, no Rio de Janeiro, Brasil. O texto do catálogo, com o título Maíolino Gravadora, é de Clarival do Prado Valiadares: "( ) Maiolino, todavia, vinculou-se a um novo território cultural e nela brotou surpreendente sentimento de brasilidade que a tem levado a preocupar-se mais com o acervo da xilogravura popular nordestina. ( ) A rigor sem imitá-la. ( ) Apenas admite a xilogravura de folhetos de cordel em seu significado de produto amadurecido de uma arte de sentimento coletivo. Utiliza-se, sim, de um alfabeto para se expressar em linguagem diferente".

1968 Naturaliza-se brasileira, viaja para os Estados Unidos com o marido e os dois filhos, permanecendo em New York quase três anos. Lá, convive com artistas latinoamericanos vinculados a uma produção experimental da linguagem. Maiolino retoma a poesia, ao mesmo tempo em que trabalha em um estúdio de desenho têxtil.

No segundo semestre de 1971, recebe uma bolsa de estudos do lnternational Pratt Graphics Center. A representação é abandonada. A poesia é o caminho que coloca a artista perante o plano do papel corpóreo e todas as suas possibilidades de especialidade. As palavras escritas passam a ser pontos de pontuação de espaços, referências afetivas, dando início à série Mapas Mentais (1971-1974).

A década de 70 é significativa no que concerne à experimentação e à utilização de diversas mídias como forma de alongamento do discurso da obra. Esta se apoiará em duas produções poéticas paralelas. Numa, o trabalho de ateliê propriamente dito, com seus suportes artesanais, especialmente o desenho. Noutra, um olhar sobre o mundo, querendo entendê-lo através da arte, com os filmes e instalações. Estes trabalhos são também uma forma de resistência à censura, ao regime militar vigente. O desenho apóia-se na pesquisa do espaço através da ruptura da superfície de papel. Novos elementos, como cortes, dobras e costuras com linha, juntam-se aos elementos gráficos tradicionais, um meio constante de trabalho, que permeia toda a obra da artista. São dessa época os desenhos/objetos e os livros/objetos.

am18.gif 1971 Regressa ao Rio de Janeiro, Brasil, reintegrando-se à vida artística do país.

1972 Participa da 11 Bienal de Grabado Latino-Americano, em San José, Porto Rico.

1973 Realiza uma exposição individual na Galeria Grupo B, no Rio de Janeiro, Brasil, denominada Lugares e Memória (uma topografia que remete às questões existenciais). O texto de apresentação é do poeta Armando Freitas Filho.

am19.gif Nesse mesmo ano, participa da 11 Mostra de Artes Visuais, em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil, recebendo o Prêmio Guignard; do V Salão Nacional de Arte, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, recebendo o Prêmio de Aquisição; da Trienal Internacional de Gravuras Originais em Cores, em Renchen, Suíça; e da ExpoProjeção (Som, Audiovisual, Super-8 e 16 mm), organizada por Aracy Amaral, em S. Paulo, Brasil.

 

 

 

am20.gif 1974 Expõe individualmente na galeria Arte Global, São Paulo, Brasil.

Toma parte no 1 Festival de Filme Super~8, em Curitiba, Paraná, Brasil, com o filme In-Out, Antropofagia, que é premiado. E também participa dos seguintes eventos: Carnival in New York, no MOMA, em New York; Festival Internacional do Filme Super8, no Space Cardin, em Paris; Panorama de Arte Atual Brasileira: Desenho, no MAM, em São Paulo, Brasil.

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1976 Realiza uma exposição individual, Aos Poucos, na Petite Galerie, no Rio de Janeiro, Brasil, com texto de apresentação de Armando Freitas Filho. A mostra reúne 25 trabalhos de parede (desenhos, desenhos/objetos, objetos, projeções de filmes) e a instalação Solitário ou Paciência, em que um baralho está disposto sobre uma mesa coberta com um pano preto, no meio da exposição. O espectador que tentasse jogar não finalizaria o jogo, pois as cartas estão marcadas. A instalação, analogamente, fala da morte nos aspectos mais amplos, no que se refere a viver sob um regime ditatorial. Contudo, o trabalho fotográfico do convite fala de esperança - haverá novamente luz, pois a venda que recobre os olhos cai lentamente, Aos Poucos.

am11.gif  1977 Participa das exposições Arte Atual de Ibero-América, no Centro Cultural de Ia Villa de Madrid, Espanha; e Arte Brasileira,

Anos 60 e 70 - Coleção Gilberto Chateaubriand, no Casarão João Alfredo, em Recife, Pernambuco, Brasil.

1978 Participa dos eventos O Objeto na Arte Brasileira, Anos 60, no Museu de Arte Brasileira, da Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, Brasil, e da performance Mitos Vadios, organizada por Hélio Oiticica, em um terreno baldio na rua Augusta, em São Paulo, Brasil.

am26.gif 1979 Faz parte de um Artist's Space, na Aliança Francesa do Rio de Janeiro, filial de Botafogo. Este espaço surge da vontade de um grupo de artistas cariocas, por ocasião da abertura política. Os artistas, sensibilizados pelo passado, sentem-se inseguros diante do futuro e querem discutir livremente as questões referentes à produção artística do momento, além de realizar exposições. Maiolino monta nesse espaço a instalação Feijão & Arroz, uma analogia entre vida e morte, comida e fome, morte e ressurreição.

1980 Remonta a instalação Feijão & Arroz, no Núcleo de Arte Contemporânea - NAC, da Universidade Federal da Paraíba, Brasil.

1981 Expõe individualmente desenhos, no Escritório Brasileiro de Artes, em São Paulo, Brasil. O texto do catálogo é de Paulo Herkenhoff.

am27.gif Participa da exposição HMST. 4 Instalações e 4 Artistas, no Paço das Artes, em São Paulo, Brasil. Apresenta, pela primeira vez, a instalação Entrevidas, que consiste de um espaço com o piso ocupado com 70 dúzias de ovos naturais de galinha, gerando tensão entre eles e os visitantes, que caminham neste campo minado de fragilidades de vidas, em um reconhecimento de território. Esta instalação é concebida no momento particular da vida política, da abertura democrática. A obra fala de perigo, morte, resistência, fecundação, continuidade, vida.

1982 Depois de 22 anos de ausência, a artista volta à sua terra natal, a Itália, expondo individualmente na Casa do Brasil, em Roma. O catálogo da exposição tem a assinatura do crítico italiano Tommaso Trini.

Nesse mesmo ano, participa do Brazilian Super-8. Millenium, Film Workshop, em New York, e de O.V.S.I. (Objetos Voadores, Si Identificados), na Fundação Mendonza, em Caracas, Venezuela.

1983 Participa da Vi Bienal Internacional de Arte de Valparaíso, no Chile, e da XVI Bienal Internacional de São Paulo, Brasil, Cinema de Artistas.

1984 Realiza uma exposição individual de desenhos, na Galeria Arco-Arte Contemporânea, em São Paulo, Brasil. O texto Sobre a Água, do catálogo, é de Paulo Herkenhoff.

Participa da 1 Bienal de Havana, em Cuba, por indicação da crítica Aracy de Amaral.

am23.gif Entre 1984 e 1989, Maiolino passa a viver períodos alternados entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Este é um período marcado pelo recolhimento. Trabalha o desenho e a pintura. "Esta, mais que um desafio, é uma escusa para a reflexão e para entender a mim mesma, à vida, e o destino do trabalho. A ação pictórica segue meu curso interno do tempo, ligada à vida anímica, sem relevar o processo histórico da arte. O que importa é o trabalho das pinceladas repetidas que constroem a imagem para, em seguida, destruí-ia, e não a finalização do quadro. Alguns poucos trabalhos chegam a ser concluídos. Entre as transparências de um espaço quase etéreo, aparece a forma simples, enquanto 'raiz de diversidade', o '0' (zero) que para os hindus é 'anterior à realização - a áurea do nada"', escreve Maiolino.

1987 Esta obra pictórica é apresentada em exposição individual na Galeria Paulo Kiabin, no Rio de Janeiro, Brasil, com texto de Reynaldo Roeis Jr

1988 Participa das mostras Nova Fíguração Rio-Buenos Aires, na Galeria do Instituto Cultural Brasil-Argentina, no Rio de Janeiro; Ao Colecionador, exposição comemorativa do lançamento do livro Entre Dois Séculos, A Arte Brasileira do Século XX na Coleção Gilberto Chateaubriand, de Roberto Pontual, no MAM, Rio de Janeiro.

1989 Deixa Buenos Aires e volta definitivamente para o Rio de Janeiro. A pintura e o desenhar na água (o papel totalmente embebido em líquido) paulatinamente dão lugar a outros materiais, como argila, gesso e cimento. Utiliza o processo tradicional da escultura moldada: primeiro o positivo em argila, 1 seguido pelo molde em gesso e, por último, a execução do positivo final em gesso ou cimento, na elaboração de objetos escultóricos de parede, que denomina Novas Paisagens, obra com caráter topológico. Com estes trabalhos, participa da exposição Rio Hoje, no MAM, Rio de Janeiro, Brasil.

Realiza uma exposição individual de esculturas de parede, na Pequena Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, Brasil, cujo catálogo tem a assinatura de Fernando Cocchiarale. Esta exposição ganha, em 1990, o Prêmio Mário Pedrosa, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), como a melhor mostra de 1989.

1990 Participa da XXI Bienal Internacional de São Paulo, Brasil, com a instalação De Vita Migrare: Anno MCMXCI. De Vita Migrare significa morrer, em latim. Esta obra põe em questão a territorialidade. Trata do homem e de sua história homem como dimensão de retorno.

Também toma parte da exposição O Clássico no Contemporâneo, no Paço das Artes, em São Paulo, Brasil.

1991 Realiza seis exposições individuais. Remonta a instalação Entrevidas, na Galeria IBEU (instituto Brasil-Estados Unidos), no Rio de Janeiro, Brasil, com catálogo assinado por Esther Emílio Carios; na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro, Brasil; na Performance Galeria de Arte, em Brasília; na Galeria de Arte e Acervo da Universidade Federal de Uberiândia, em Minas Gerais, Brasil; na Fundação Rômulo Maiorana, com texto de apresentação (Maiolino, os lugares) de Paulo Herkenhoff, em Belém, Pará, Brasil; e no Museu do lngá, em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.

Neste momento, o trabalho escultórico ganha novos questionamentos. Maiolino incorpora o tradicional método de "Cobrinhas" ou "Rolinhos", usado pelos ceramistas na confecção de utensílios, fazendo-o parte do discurso da obra, assim como as primeiras ações de trabalho com a argila (dividir, amassar, cortar).

am21.gif 1992 É convidada pela crítica belga Catherine de Zegher para tomar parte da mostra AMERICA - Bride of the Sun. 500 Years Latin Ameríca and the Low Countries, no Royal Museum of Fine Artes, em Antuérpia, na Bélgica. Maiolino remonta a instalação Entrevidas, de 1981; exibe o filme ln-Out, Antropofagia, de 1974.

Participa da X Mostra de Gravura, em Curitiba, Paraná, Brasil.

am17.gif 1993 Realiza a mostra individual Um, Nenhum, Cem Mil, na Galeria Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, Brasil, cujo catálogo traz o texto Scalea é aqui, de Tadeu Chiareili. Esta exposição recebe, no ano seguinte, o Prêmio Pesquisa de Linguagem (Os Melhores de 1993), da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Com esta exposição, Maiolino marca o amadurecimento de novas questões. No uso do módulo, o trabalho encontra a possibilidade de retomada de acréscimo do corpo da obra.

Participa da exposição Brasil: Segni D'Arte, organizada por Marcio Doctor e a crítica italiana Lucilia Sacca, em Veneza, Itália (Livros de Artistas).

1994 Reapresenta a exposição Um, Nenhum, Cem Mil, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, Brasil, cujo catálogo traz o texto Gesto, Repetição, Singularidade, de Marcio Doctor.

Integra as mostras Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal de São Paulo; Multiple Word, na lnternational Survey of Artistic Books, no The Atianta College Art Galiery, em Atianta, Estados Unidos.

am13.gif 1995 Integra a exposição internacional itinerante Inside the Visible - Begin the Beguine in Flanders, organizada pela crítica Catherine de Zegher, reunindo a produção feminina significativa na arte contemporânea do século XX, junto com Louise Bourgeois, Eva Hesse, Gego, Lígia Clark, Mira Schendei e outras.

Realiza a instalação Muitos, com 300 quilos de argila modelada, na Kanaal Art Foundation, em Kortrijk, na Bélgica, como parte inicial da exposição Inside the Visible.

am14.gif  A busca da repetição da ação do gesto leva a artista a elaborar projetos de instalações com grande quantidade de argila modelada. "Trata-se de uma obra em aberto, trabalho não concluído, armazenamento de entropia - energia gasta na prazerosa fadiga - transbordante de afeição, de pulsões e onde a natureza habita - a minha e a do elemento modelado", diz Maiolino.

Participa das mostras AMERICA, na Fundação Cultural, em Curitiba, Pairaná, Brasil, e da 11 Bienal Barro de América, em Caracas, Venezuela.

Realiza quatro exposições individuais: na Galeria Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, Brasil; Casa das Artes Miguei Dutra, em Piracicaba, São Paulo,

Brasil; Galeria Debret, no Rio de Janeiro, Brasil; Embaixada do Brasil em Paris, na França. O texto O Espelho Metafórico de uma Experiência, do catálogo desta exposição, é de autoria de Sheila Leiner

am12.gif 1996 Participa da segunda parte do projeto Inside the Visíble, com curadoria de Catherine de Zegher, apresentado no The lnstitute od Contemporary Art, em Boston, nos Estados Unidos; no The National Museum of Women in the Art, em Washington, Estados Unidos; na Whitechapel Art Galiery, em Londres, Inglaterra; na Art Galiery of Western Austrália, em Perth, na Austrália. O texto A Mão Que Faz, de Paulo Venâncio Filho, apresenta a obra da artista no catálogo.

 

 

 

 

am16.gif  1997 Realiza duas exposições individuais: uma no Projetos Eventos Especiais, da Funarte, no Rio de Janeiro, Brasil; e a outra na Galeria Joei Edeistein Arte Contem porânea, também no Rio de Janeiro, Brasil, cujo texto do catálogo A Memória do Outro é de Esther Emílio Carios.

Participa da mostra itinerante Realigníng Vision: Alternatives Current in South American - Drawing, organizada por Mari Carmen Ramírez para a Universidade do Texas, em Austin, e apresentada no El M usei dei Barrio, em New York; no Arkansas Art Center, em Littie Rock, Arkansas; na Huntington Galiery, em Austin, no Texas.

Por indicação de lvo Mesquita, toma parte no evento In Síte 97, uma exposição fronteiriça entre as cidades de San Diego, nos Estados Unidos, e Tijuana, no México.

1998 A mostra itinerante Realigning Vision: Altematives Current in South American Drawíng é apresentada no M useo de Bel Ias Artes, em Caracas, Venezuela; e no MARCO - Museo de Arte Contemporânea, em Monterrey, México.

Participa da XXIV Bienal Internacional de São Paulo, na seção Roteiros, a convite da curadora Rina Carvajal, apresentando a instalação São Estes, com 2.500 quilos de argila modelada.

1999 Participa da mostra itinerante Realigníng Vision: Altematíves Current in South American - Drawing, apresentada no The Miami Museum of Ad, em Miami, Estados Unidos.