| O que Arthur Omar anda lendo...
1. O OLHO E O CÉREBRO, de R. L. Gregory. Zahar Editores. Video, cinema, todos obedecem à constituição do olhar. E nessa constituição, nenhum artigo pode ser revogado ou emendado, nem por maioria de três quintos. O olho manda informações para o cérebro. Mas sempre há surpresas quando procuramos descobrir quem é que realmente manda. Como em todas as constituições. Livro fundamental, sem fisiologismos. 2. A NATUREZA NÃO-INDIFERENTE, de Serguei Eisenstein. Union Générale d'Éditions, França. Com a queda do muro de Berlin, os antigos livros realmente revolucionários devem continuar a ser lidos, só que agora apenas como música. Esta obra de Eisenstein é uma FM completa para o espírito. 3. UNDERSTANDING MEDIA: The Extensions of Man, de Marshall McLuhan. Signet Books, EUA. Qualquer estudante da ECA pode, hoje, tecer críticas demolidoras contra este livro, e fazer o mesmo com CASA GRANDE E SENZALA, sem nenhuma dor na consciência. Mas mergulhar nos detalhes da sua leitura é tão excitante como uma descida vertiginosa em Júpiter, quando por falta de oxigenação o cérebro entra em estado hilariante. Não é filosofia, mas efeitos especiais de inteligência. Quer mais? Era católico, como Salvador Dali. E podia ganhar 100.000 dólares numa única conferência para executivos. 4. O DISCURSO CINEMATOGRÁFICO, de Ismail Xavier. Editora Paz e Terra. A EXPERIÊNCIA DO CINEMA, org. por Ismail Xavier. Editora Graal. Se a teoria do cinema de vanguarda fosse sexo, é nesses dois livros que você iria encontrar resposta para as perguntas que nunca teve coragem de fazer. O primeiro discute as questões e polêmicas da época em que ainda havia questões a discutir. O segundo, antologia dos textos fundamentais. Só o melhor. Tudo arrumadinho, explicadinho, mastigado, à la carte. Motel de cinco estrelas para amigos do saber. 5. ILLUMINATING VIDEO, An Essential Guide do Video Art, de Doug Hall e Sally Jo Fifer. Aperture/BAVC, EUA. REVISTA COMMUNICATIONS nº 48 VIDÉO. Éditions du Seuil, França. Dois tijolaços. Projetos enciclopédicos borgeanos de abarcar a totalidade do universo do video. Ensaios de críticos, textos de artistas, ilustrações. Todos os setores, todas as experiências, nada fica de fora. Obrigatórios. Mas cá entre nós, eles levam a coisa a sério um pouco demais. 6. VIRTUAL REALITY, Adventures in Cyberspace, de Francis Hamit. Miller Freeman Publications, EUA. Se no primeiro livro o olho mandava informações para o cérebro, com as experiências em realidade virtual, chegamos a uma quase inversão do processo. Agora é o cérebro que manda informações para o olho. Publicado esta semana nos Estados Unidos, o livro procura antecipar como serão as mil e uma noites desta noite nos Estados Unidos. É estranho, mas essas coisas de realidade virtual são sempre melhores lidas do que ao vivo. Obra fascinante, devemos lê-la imediatamente. Sentados na calçada, de canudo e canequinha.
Outro tijolaço com os escritos transcinematográficos de Glauber, com quem me idenfifico na fúria produtiva e no imaginário mítico. Algumas cartas devem ser lidas, relidas e trelidas. É toda uma vida que se tece em cima da máquina de escrever, com mundos estéticos e sacações político-existenciais difíceis de expressar de outra forma que não na intimidade e isolamento da escrita. A cada dia, uma dose de Glauber, remédio e veneno para carrascos, estetas e garotos que estão pensando em fazer cinema. |