Muybridge-Beethoven 1
(1997)

por Ivana Bentes *

A decomposição da imagem-movimento e do som no espaço e a sua recomposição épica. Na sua vídeo-instalação, Arthur Omar propõe criar um fluxo audiovisual a partir de um estudo sobre os corpos em movimentos que remonta às experiências pré-cinematográficas de Muybridge.

Visualização do movimento que tem como contrapartida uma espacialização do som. Ao sincronizar movimentos radicais (lutas e danças violentas e eróticas decompostas e heroicizadas) com uma trilha sonora composta apenas com os tempos fortes das nove sintonias de Beethoven, o artista propõe criar uma experiência de imersão, pathos estético, e êxtase audiovisual interrompido por silêncios e intervalos.

Compor e decompor a imagem e a música de tal forma que ela possa ser manipulada, fragmentada, sampleada, descontextualizada. Análise combinatória ou roleta audio-visual que insere o olho e o corpo no fluxo das imagens, predispondo o espectador a entrar "em fase" com a obra.

 

*Ivana Bentes é doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, crítica e pesquisadora de cinema e artes visuais, professora da Escola de Comunicação da UFRJ, autora de Joaquim Pedro de Andrade: a revolução intimista (Ed. Relume Dumará- RioArte. 1996) e Cartas ao Mundo. Glauber Rocha. (organização e introdução). Editora Companhia das Letras. 1997; é apresentadora do programa Curta-Brasil (TV Educativa) e co-editora de Cinemais: revista de cinema e outras questões audiovisuais.
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1 - Instalação apresentada na exposição Arte e Tecnologia, no Paço das Artes
São Paulo, outubro de 1997.
Curadoria de Daniela Busso

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