| OS TÍTULOS COMO GÊNERO LITERÁRIO Os títulos da Antropologia da Face Gloriosa pertencem a um gênero poético que só existe nos títulos das faces gloriosas. Nunca usei esse estilo em outros trabalhos. A idéia é manter uma sonoridade comum a todos eles. Sua enunciação deve lembrar os concursos de fantasias dos Bailes de Gala nos Carnavais de antigamente. Sem qualquer intenção de pastiche quanto ao conteúdo, algo neles deve imitar o tom da voz de um locutor de desfile anunciando o próximo concorrente. Um certo épico-kitsch, a descrição de reinos maravilhosos e personagens mitológicos. As metamorfoses, a memória de paraísos remotos. Com o imaginário desse vocabulário do falso êxtase, e dessa linguagem quase extinta, construí os meus títulos, a minha "erudição" poética particular, canalizando o processo para as minhas próprias finalidades, como um compositor que toma um tema folclórico e faz dele a base do primeiro movimento de uma sinfonia gravíssima... |