MINHA QUÍMICA PESSOAL

MINHA QUÍMICA PESSOAL

Preparar a própria química me abriu segredos. Os reveladores alterados, os rebaixadores, os intensificadores, as viragens, ouro, selênio, as fórmulas secretas de banhos inenarráveis, a famosa balancinha de Laboratório que, anos depois, na faculdade, serviu para outra coisa. Muitas vezes eu errava de propósito na realização de uma fórmula, para ver no que dava. Ou pegava um pó qualquer sem ler o rótulo, e jogava na composição, esperando um efeito surpresa. Mas em geral, eu me mantinha dentro do raciocínio rigoroso da química fotográfica, me aprofundando, estudando, tomando notas, como um monge numa biblioteca medieval. Os truques, os efeitos especiais, as ilusões de ótica, a fotomontagem, os limites de cada material. Era também a época da difusão dos processos de alteração da imagem feitos a partir do Kodalith, como a solarização, derivação, alto contraste etc. Os experimentalistas que faziam a chamada "fotografia de processo" tinham um ídolo, o autríaco Fischer...

Tudo me amarrava lá dentro por dias inteiros e noites sem fim. O meu livro de cabeceira era Fotomontagem e Arte, do Francisco Azman, minha fonte de fórmulas e estética.

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