| A ARTE E O GOZO DO LABORATORISTA Há, com efeito, um gozo específico do laboratorista. Imprimir uma cópia definitiva, em grande formato, é, sem sombra de dúvida, uma Arte, que, embora correlacionada com a fotografia, tem suas leis próprias, sua própria história, e seu panteon de heróis. O que acontece ali dentro, na verdade, não está codificado naquilo que nós conhecemos e consideramos como fotografia, ou como arte fotográfica. Numa certa medida, não é nem fotografia. Há um pathos específico, uma chama que se acende apenas ali dentro, uma emoção que só se produz no interior daquele teatro secreto e semi-obscuro, interpretado e praticado por não mais que dois ou três atores-espectadores. Uma arte completa, com seus conteúdos secretos, suas experiências radicais. Não tenho a menor dúvida. É pena que isso não seja celebrado na sua grandeza efetiva e na sua originalíssima diferença. Com a automatização e a impersonalização crescentes dos processos de produção da imagem fotográfica, talvez essa coisa emocional, teatral, misteriosa, platônica e abissal, que se passa no Laboratório esteja num acelerado processo de extinção. Não tenho palavras para dizer o quanto admiro isso, e como reconheço a saga dessa Arte da escuridão. Estranho, mas pensar nisso, no potencial romanesco disso, me faz a cabeça rodar. |