O FOTÓGRAFO FANTASIADO

O FOTÓGRAFO FANTASIADO

O fotógrafo é como uma pessoa que se fantasia no Carnaval. Quem se fantasia não quer desaparecer, como alguém que se disfarçasse. Ao contrário, quer aparecer. Só que de uma forma diferente. A fantasia não é um disfarce. O detetive Jamil Warwar, do meu filme O Inspetor, se disfarçava para fazer investigações, se travestia para se tornar invisível e passar despercebido em certos ambientes. Mas fantasia não é isso, não é um disfarce, é outra coisa.

A câmera é uma máscara, uma fantasia. Eu vou para o carnaval como um outro. Estou me exibindo. Eu me perco nessa multidão, mas não estou invisível. É um ver e ser visto. Esse elemento – o ser visto – é um elemento que considero fundamental no processo e na técnica fotográfica.

Minha câmera, minha máscara negra.

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