 
O FOTÓGRAFO COMO EXIBICIONISTA
Existe uma visão tradicional do fotógrafo como voyeur.
Encontramos isso em vários filmes, em várias representações ficcionais do fotógrafo.
Que aparece como alguém que está de fora, observando uma situação. Esse personagem
está muito presente nos filmes de arte e nos filmes pornográficos. No Blow Up, de
Antonioni, tem um pouco isso. O fotógrafo ali é uma pessoa de fora. Ele vê de fora, mas
não sabe exatamente o que viu. Em seguida, pega o negativo e vai ampliando... Nessas
representações tradicionais do fotógrafo, há sempre, no fotógrafo, uma imantação do
olhar, da questão da percepção, e esse olhar se dá sempre como uma instância de fora.
Para mim, ao contrário, um fotógrafo, ou melhor, qualquer instância
fotografante, como o diretor de um filme, ou até a equipe inteira, não é apenas um voyeurista,
mas, na verdade, um exibicionista. Porque a decisão de fotografar não é uma
decisão de pura e simplesmente ocultar-se atrás de um véu, de um buraco de fechadura, e
observar o outro em silêncio.
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