DO CORTE E OUTRAS INCISÕES

DO CORTE E OUTRAS INCISÕES

A minha formação de colocar no Laboratório toda a ênfase do processo de criação da fotografia, me levou a nunca trabalhar com o negativo cheio. Eu corto e reenquadro sempre. Mesmo se a foto está perfeita dentro do quadro da maneira como foi tirada, eu corto. É um hábito, uma compulsão, e a maneira natural para mim de encarar a fotografia.

Cortar faz parte, é um momento necessário do processo, tem que ser feito obrigatoriamente, e não me pergunte por quê. Essa coisa, por exemplo, do Cartier Bresson nunca cortar suas imagens e mandar copiar num Laboratório impessoal exatamente como foram batidas, isto é, o negativo cheio, desde garoto, me parecia um mito obsceno, algo que beirava o intolerável, como se eu estivesse colando na prova. Coisa para alunos que não estudavam.

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