CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO PAPEL DE FIBRA

CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO PAPEL DE FIBRA

Nas ampliações, o que levou mais tempo foi a escolha do papel. Fiz testes com diversas texturas e gradações de contraste. No primeiro conjunto de cópias que fiz para o MIS, em 1993, eu queria dar à exposição um certo ar de dignidade artística tradicional. Criar um curto-circuito com a irreverência técnica dos meus procedimentos. Por isso rejeitei os papéis resinados, esses que parecem plástico e são fáceis de usar, bem mais contrastados, lavagem rápida, secando em quatro minutos. Escolhi o oposto, Gallery número 3, um papel de fibra, que dá cinco vezes mais trabalho, e produz um resultado que lembra as fotografias da década de 40. Só para lavar, mais de duas horas cada folha.

As primeiras ampliações com o Gallery me incomodaram. Não pareciam comigo. Meu cérebro é todo alto-contraste, resinado, 60% é plástico e pop. O interior é não-aderente, revestido de Teflon II. E agora eu me via às voltas com um papel clássico, de terno e gravata, com textura delicada e sutileza tonal. Matéria de alta qualidade, feit para durar um século, feita para museus, salas de diretoria, belas paisagens e retratos de encomenda! Eu precisava dessa tensão conflitante com o meu método geral.

Resolvi prosseguir com o Gallery, unindo o velho e o novo, operando em duas margens opostas ao mesmo tempo. Amarrando num único nó as duas pontas da realidade, a instável e a estável. E o resultado é a Antropologia da Face Gloriosa.

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