NÃO HÁ BURACO NA FECHADURA DO MUNDO

NÃO HÁ BURACO NA FECHADURA DO MUNDO

Fotografar não é olhar o mundo através de um buraco da fechadura. Na rua, na praça, no campo aberto, não existem buracos de fechadura; eu quase nunca estou fotografando secretamente. De alguma forma, eu estou interagindo, estou interferindo. Por vezes, estou mesmo ferindo. Na verdade, o fotógrafo é um exibicionista. Há uma atitude física de fotógrafo, uma maneira corporal de estar presente numa situação como fotógrafo. Fotografar é uma troca, você vê e é visto. Tomar consciência visual de uma coisa é uma forma de sentir-se visto por ela, uma modificação que ocorre no corpo do sujeito por devolução do objeto do olhar que lhe foi enviado.

O fotógrafo não fica de fora nunca. É o centro de um campo de energia. O centro da roda com seus aros inumeráveis, partindo dele e vindo a ele. O mundo gira, a roda vê, e é vista.

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