Tenho me dedicado à fotografia desde sempre, isto é, os doze anos de idade. Comecei no fotoclube Abaf do Rio de Janeiro, onde participava dos concursos mensais. Passei por todas as categorias: principiante A, principiante B, Aspirante e Veterano. Durante muitos anos, só pensava em fotografia. Arte pela arte, puro prazer. No início dos anos 60, havia os grandes salões, os internacionais, competitivos. Cheguei a ganhar umas medalhas, inclusive uma no salão do Quarto Centenário do Rio de Janeiro, de bronze. Para um garoto de 16 anos, era um grande negócio. Mas o que me interessava mesmo era o Laboratório, que se chamava então Quarto Escuro. Na verdade, um quarto de empregada pintado de preto, onde eu me refugiava durante horas para não ter que ficar zanzando em frente da televisão enquanto meu pai lia jornal e a minha mãe lia o meu pai. Lá dentro, eu vivia comigo uma estranha intimidade. Sintonizado na Rádio Relógio, por causa da contagem de segundos para a exposição no ampliador, eu não tinha um timer. Ouvir a Rádio Relógio por 15 horas seguidas é uma experiência hipnótica, que faz parte da minha memória fotográfica. Tenho grande carinho por aquela locução do tempo infinito, pingando, pingando. |